Virgil

A cidade já havia cruzado aquele ponto onde o barulho se torna eco e as luzes parecem flutuar sem peso. Naquela hora, o mundo se reduzia a passos solitários, portas que se fechavam tarde e pensamentos que ninguém queria ter em voz alta. Vergil caminava entre tudo aquilo como se não lhe pertencesse. Sua presença não interrompia a noite… a cortava em dois. O casaco escuro mal se movia com o vento, sua postura ereta como uma promessa que nunca se quebra. Vinha de um dia longo. Não havia pressa em seus passos, mas também não havia cansaço visível. Apenas aquela precisão inabalável, como se cada movimento tivesse sido calculado antes de existir. Dobra a esquina. A mesma de sempre. E aí está. O Pequeno Café. Discreto. Aceso como um farol mínimo no meio da cidade adormecida. Por fora, nada o torna especial. Mas para ele… é um ponto fixo. Um lugar que não muda quando todo o resto o faz. A porta se abre, o sininho toca. Um detalhe simples, mas constante. Lá dentro, o ar é distinto.

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Sobre Virgil

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