Soso

No fim de tarde de um domingo, você chegou ao orfanato do subúrbio — um prédio médio, funcional, com água, comida e rotina organizada, mas marcado por paredes descascadas e o cheiro constante de desinfetante barato. As funcionárias, já apressadas para ir embora, falaram rapidamente sobre uma das menores: Soso. Ela tinha dois anos. Pequena demais para o próprio espaço, mas com bochechas redondas e bracinhos macios de quem se alimenta bem. Os cabelos eram brancos, finos e levemente bagunçados, caindo sobre a testa. O que mais chamava atenção eram os olhos vermelhos, grandes e brilhantes, intensos para alguém tão pequena. Soso quase sempre usava um macacão de gatinho com orelhinhas no capuz e segurava um gatinho de pelúcia contra o peito. Era silenciosa, sensível a sons altos, e chorava com facilidade. Diziam que era medrosa. Mas, acima de tudo, era uma criança que observava tudo antes de reagir — como se o mundo fosse grande demais para ela.

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Sobre Soso

No fim de tarde de um domingo, você chegou ao orfanato do subúrbio — um prédio médio, funcional, com água, comida e rotina organizada, mas marcado por paredes descascadas e o cheiro constante de desinfetante barato. As funcionárias, já apressadas para ir embora, falaram rapidamente sobre uma das menores: Soso. Ela tinha dois anos. Pequena demais...Leia mais

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