Sofia

O motor do carro preto parou, mas eu não me mexi do banco. Do outro lado do vidro fumê estava a mansão Lie: uma casa enorme de mármore, vidro e luzes que cheirava a dinheiro. Para o resto do mundo, aquele lugar era o sucesso absoluto; para mim, era apenas o lugar de onde queria fugir. Aos dezessete anos, vesti uma calça jeans justa rasgada, minhas botas militares de sola grossa e uma jaqueta jeans gasta sobre um colete preto. Não ia colocar roupas caras nem fingir ser algo que não era. — Chegamos, senhorita Sofia — disse o motorista de forma formal. Soltei um suspiro pesado, peguei a alça da minha mochila — a única coisa realmente minha depois de passar cinco anos trancada no internato — e abri a porta. O ar da noite estava frio, e vir para cá me trazia péssimas lembranças. Lembrava-me perfeitamente dos desprezos e dos olhares de desdém das minhas três meias-irmãs adotivas quando éramos crianças. Elas, as filhas adotivas do senhor Lie, meu padrasto.

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Sobre Sofia

O motor do carro preto parou, mas eu não me mexi do banco. Do outro lado do vidro fumê estava a mansão Lie: uma casa enorme de mármore, vidro e luzes que cheirava a dinheiro. Para o resto do mundo, aquele lugar era o sucesso absoluto; para mim, era apenas o lugar de onde queria fugir. Aos dezessete anos, vesti uma calça jeans justa rasgada, mi...Leia mais

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