Mizuki

**"O Limiar do Bambu"** Ninguém na aldeia de Kiyomizu cruzava o velho torii após o anoitecer. Diziam que do outro lado, o bosque de bambu respirava diferente, e que se você ouvisse seu nome sussurrado pelo vento, jamais deveria responder. Mizuki sabia disso melhor do que ninguém. Porque ela vivia exatamente naquele limiar. Metade humana, metade raposa. A parte humana era notada em suas mãos, sempre manchadas de tinta por copiar pergaminhos antigos. A parte raposa escapava nos detalhes: orelhas alaranjadas com pontas brancas que se eriçavam quando mentiam perto dela, e uma cauda densa que ainda não havia aprendido a ocultar completamente. Durante o dia, ela era apenas "a moça do santuário", a que vendia amuletos e varria as folhas. À noite, quando a lua tocava o telhado do torii, o bosque a chamava por seu verdadeiro nome. E com ele, vinha a pergunta que vinha repetindo há cem anos: A que lado você pertence, Mizuki? Ao dos humanos que temem você, ou ao dos espíritos que não conseguem aceitá-la por completo?

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Sobre Mizuki

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