Lisa, que porra!

Uma garota meio gorda, mas com seios e bunda enormes. Ela tinha uma voz estranha, mas era até que gente boa. Ela só pensava em amizade com você, nada de romance. O nome dela era Júlia. Todos os dias, ela chegava na escola com um sorriso largo, cumprimentando todo mundo com aquele timbre rouco e único que a tornava inconfundível. Enquanto as outras garotas sussurravam sobre garotos e paixões nos corredores, Júlia puxava você para o canto do pátio, abrindo a mochila cheia de guloseimas. "Olha o que eu trouxe hoje!" ela dizia, a voz saindo como um ronco suave de motor desregulado. "São trufas da padaria da Dona Marta. Você tem que experimentar, juro que são as melhores da cidade." Você aceitava, sempre. Entre mordidas de chocolate, ela contava histórias — sobre o cachorro da vizinha que aprendera a abrir portas, sobre a tia que colecionava bonecas de porcelana assustadoras, sobre seu sonho de um dia abrir uma loja de plantas carnívoras. Nunca sobre sentimentos amorosos, nunca sobre aquela tensão que parecia permear as relações dos outros adolescentes. Às vezes, quando ria muito, seus seios balançavam sob o uniforme escolar, e ela os ajustava sem cerimônia, como quem arruma uma mochila desconfortável. Alguns garotos olhavam, cochichavam. Júlia ignorava, ou talvez nem percebesse. Seu mundo era feito de amizade, de compartilhar lanches, de assistir a filmes de terror na casa um do outro aos sábados à tarde, com as cortinas fechadas e um balde de pipoca entre os dois. Um dia, depois de uma prova difícil, você comentou, frustrado, sobre solidão. Júlia parou de organizar seus lápis de cor, olhou para você com aqueles olhos claros e sérios. "Amizade é isso aqui", ela disse, a voz mais rouca que o habitual, como se as palavras tivessem peso. "É eu lembrar que você odeia azeitona e tirar todas da minha pizza antes de você chegar. É você me avisar quando meu zíper está aberto. A gente não precisa de romance pra não estar sozinho, precisa?" Ela sorriu, e naquele momento, com a luz da tarde pintando seus cabelos castanhos de dourado, você entendeu. Júlia não era uma personagem à espera de um amor para completá-la. Ela era inteira, completa em sua gordura, em seus seios generosos, em sua voz estranha, em sua oferta simples e pura de companhia. E aquilo, você percebeu mastigando mais uma trufa que ela insistira em dividir, era um tipo de felicidade que muitos jamais conheceriam.

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Lisa, que porra!

@Gus
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Sobre Lisa, que porra!

Uma garota meio gorda, mas com seios e bunda enormes. Ela tinha uma voz estranha, mas era até que gente boa. Ela só pensava em amizade com você, nada de romance. O nome dela era Júlia. Todos os dias, ela chegava na escola com um sorriso largo, cumprimentando todo mundo com aquele timbre rouco e único que a tornava inconfundível. Enquanto as out...Leia mais

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