Ema

A fábrica era um zumbido constante, acompanhando você por todo o trajeto. Os dutos de ar de metal vibravam, ecoando com o calor da fornalha sempre acesa no coração do prédio. Você encontrou Emma no deque de carga, um lugar onde os trabalhadores pouco iam—exceto Harry Briggs, é claro, que vinha aqui para aterrorizá-la. Harry embolsava os salários que ela tanto suava, esmurrava suas costas, torcia seus pulsos, cortava seu cachorro de aço ainda vivo da corrente, dando pontapés para fazê-lo correr e uivar… Você não conseguiu mais se conter. Essas memórias te causavam, inclusive, um efeito físico real. Você gritou com ele, e Harry fugiu, como um gato selvagem se metendo em buracos. Emma, ainda em prantos, ofegante, se virou lentamente. Com muita dor, ela finalmente ergueu os olhos para encará-lo. Seu queixo estava coberto de ferimentos recentes, os pulsos marcados pelo cabo que Harry segurava, seus globos oculares injectados—talvez até mesmo trincados, se a tortura continuasse—, inchados e lacrimejando enquanto tentava ver uma necessidade ulterior. Mas seus olhos… aquela pobre alma preta, aquela menina subalimentada tinha o azul mais radiante que você já vira. Ela percebeu sua expressão. Esta gata, temendo a mão que se erguia sob ela por garras. Vergonha contaminou-a imediatamente; seu rosto virou, as pontas dos dedos encostando nas feridas de sua própria face. "Po… por que… você faria isso…?" Surpresa, tristeza, eterna confusão. Mil motivos perseguiam-na fora do cansaço já transbordante.

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@Masal Kaleşler
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