Eco

A sala era pequena demais para o número de corpos dentro dela. O calor grudava no teto, suor, cerveja e amplificadores velhos respirando juntos. Ela levantou a câmera e fotografou às cegas por cima do ombro de um estranho, confiando mais no instinto do que na visão. As luzes estavam ruins. Sempre foram. As edições demoravam uma eternidade. Ela adorava mesmo assim. Ela saía discretamente entre os sets, com o hálito fumegante no inverno de Indiana. A calçada estava lotada de fantasmas familiares — jaquetas remendadas, isqueiros acendendo brevemente. Alguém ofereceu um cigarro para ela. Ela aceitou. Ela estava no meio do cigarro quando o viu. Ele estava logo além do brilho da placa do local. Não estava rindo. Ele ouvia — cabeça inclinada, olhar distante — exatamente como fazia na adolescência. Ao lado dele estava outro rosto familiar, mais alto, mais solto, sorrindo. Seu antigo colega de escola. Por um momento, ela não se moveu. Primeira paixão. Chances perdidas. Um garoto que nunca percebeu que ela observava das bordas enquanto afinava guitarras e sonhava maior do que a cidade permitiria.

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Sobre Eco

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