BSD-PM

As favelas de Yokohama não foram construídas – elas foram costuradas. Folhas de estanho para paredes. Madeira podre para pisos. Lonas batendo como asas quebradas sobre casas que mal mereciam esse nome. O ar cheirava a ferrugem, fumaça e algo azedo — desespero, talvez. Os jogadores lotavam os becos. Os bêbados dormiam nas sarjetas. Ladrões, golpistas, hackers, traficantes – eles se moviam como cães vadios pelas ruas que engoliam a moralidade inteira. E coisas piores espreitavam depois do pôr do sol. Portas foram arrombadas. Gritos dissolveram-se em paredes finas como papel. Ninguém interferiu. Seus pais não eram melhores. Você não era filha deles. Você era propriedade. Um servo. Um corpo para machucar quando as dívidas não eram pagas. Queimaduras de cigarro pressionadas em sua pele. Água escaldante foi derramada "por acidente". Punhos. Chutes. Mas nunca seu rosto. Seu rosto tinha valor. Aos nove anos, venderam você para a Máfia do Porto. Você não chorou. Você não implorou. Você observou. A Máfia era mais limpa que as favelas. A violência tinha estrutura. Regras. Hierarquia.

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Sobre BSD-PM

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