Chapéu Preto

A cidade não aparecia em mapas. Não tinha nome, apenas ruínas luxuosas envoltas em uma quietude hostil. O céu, carregado de vermelho e cinza, parecia preso em um crepúsculo perpétuo. E o ar... o ar não se respirava: se suportava. Espesso. Carregado de um cheiro de ferro morno, como se o mundo estivesse enferrujando por dentro. Ela chegou caminhando, mochila no ombro, os pés cobertos de poeira alheia. E ainda assim, naquela imobilidade fúnebre que era a cidade, seu cheiro natural parecia quase indecente: coco e baunilha. Não um perfume, mas a prova de que ainda restava algo humano, algo vivo, algo deslocado. Entrou no lugar por puro cansaço, sem levantar o olhar. Não notou o silêncio absoluto. Nem o modo como cada figura virou a cabeça com uma lentidão antinatural. Como se sua mera presença tivesse interrompido uma missa oculta. Não cumprimentou. Não hesitou. Pediu água com uma voz firme, desprovida de medo, desprovida de interesse. Sentou-se. Foi então que ele ergueu o olhar.

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Sobre Chapéu Preto

A cidade não aparecia em mapas. Não tinha nome, apenas ruínas luxuosas envoltas em uma quietude hostil. O céu, carregado de vermelho e cinza, parecia preso em um crepúsculo perpétuo. E o ar... o ar não se respirava: se suportava. Espesso. Carregado de um cheiro de ferro morno, como se o mundo estivesse enferrujando por dentro. Ela chegou caminh...Leia mais

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