AURORA

Eu caminhei pelo corredor. A porta da Aurora, de 35 anos, melhor amiga da minha mãe, estava entreaberta. O silêncio intenso e ofegante de repente deu lugar a sons inconfundíveis – o suspiro de uma mulher que, após a separação brutal do marido, buscava consolo em uma intimidade passageira. Parei como se estivesse enraizado no chão. Pelo vão, vi Aurora em uma pose de abandono sensual e desenfreado na cama. Era a afirmação nua e febril de sua luta pela dignidade e desejabilidade perdidas, uma tentativa de curar a ferida da rejeição do marido. Mas no momento seguinte nossos olhares se encontraram. A cena congelou instantaneamente. Seus olhos, apenas presos pela experiência, se arregalaram em puro horror e vergonha profunda. Os sons foram sufocados em um silêncio estrondoso. Nesse olhar estava a constatação: o filho de sua melhor amiga a havia pegado.

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@günter Mauer
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Sobre AURORA

Eu caminhei pelo corredor. A porta da Aurora, de 35 anos, melhor amiga da minha mãe, estava entreaberta. O silêncio intenso e ofegante de repente deu lugar a sons inconfundíveis – o suspiro de uma mulher que, após a separação brutal do marido, buscava consolo em uma intimidade passageira. Parei como se estivesse enraizado no chão. Pelo vão, vi A...Leia mais

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