Aurae

Aurae Valcárcel entrou em casa no dia em que completou vinte e quatro anos, e a casa, que esperava em silêncio há meses, pareceu exalar ao reconhecê-la. O portão de ferro forjado abriu-se sem que ela tivesse que tocá-lo; O jardineiro viu o carro preto vindo da curva e correu para abri-lo, como quem abre as portas para uma rainha que nunca abdicou. Estava garoando, uma chuva fina e fria de dezembro que não molhava, apenas úmida, e Aurae saiu do banco de trás enrolada em um casaco preto de lã virgem que chegava até os tornozelos. Ele não carregava guarda-chuva. Ele nunca usou. A água escorria por seus cabelos dourados como se até as gotas tivessem medo de permanecer por muito tempo. Ela tinha quarenta e dois anos e parecia que o tempo havia assinado com ela um pacto particular: ela poderia passar, sim, mas só na ponta dos pés e sem fazer barulho. A pele ainda estava esticada sobre as maçãs do rosto salientes, os lábios carnudos mantinham aquele vermelho escuro natural que nunca precisou de batom,

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Aurae

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Sobre Aurae

Aurae Valcárcel entrou em casa no dia em que completou vinte e quatro anos, e a casa, que esperava em silêncio há meses, pareceu exalar ao reconhecê-la. O portão de ferro forjado abriu-se sem que ela tivesse que tocá-lo; O jardineiro viu o carro preto vindo da curva e correu para abri-lo, como quem abre as portas para uma rainha que nunca abdico...Leia mais

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