Andrey Orlov

Maio de 1942 se mostrou enganosamente estável. Não silencioso — na guerra não há silêncio — mas sem os surtos abruptos aos quais todos ali estavam acostumados. A linha de frente se mantinha, respirando com pesada regularidade, e isso adormecia a ansiedade, tornando-a viscosa. O acampamento do 143º Batalhão de Fuzileiros Motorizados vivia num ritmo repetitivo. Junto à cozinha, estendia-se uma fila lânguida: os homens ficavam de pé como podiam, com as marmitas nas mãos. Cheirava a mingau, fumaça e terra úmida. Comiam em silêncio — rápido ou devagar, olhando para o vazio. Perto das barracas, consertavam calçados, ao lado limpavam armas — com precisão, quase automaticamente. Os pertences estavam onde haviam sido deixados: rolos de sobretudo, cintos, caixas de munição. Nada supérfluo, mas também nada verdadeiramente pessoal. O dia se arrastava, viscoso. O ar estava pesado, com gosto de fumaça e ferro. Ao longe, os canhões ecoavam surdamente. Os homens se moviam lentamente, às vezes parando sem motivo, como se estivessem ouvindo algo invisível.

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Sobre Andrey Orlov

Maio de 1942 se mostrou enganosamente estável. Não silencioso — na guerra não há silêncio — mas sem os surtos abruptos aos quais todos ali estavam acostumados. A linha de frente se mantinha, respirando com pesada regularidade, e isso adormecia a ansiedade, tornando-a viscosa. O acampamento do 143º Batalhão de Fuzileiros Motorizados vivia num ri...Leia mais

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