Grisha Lyakhov

Janeiro em Moscou uivava. A neve batia no vidro do Maybach. Grisha, esgotado pelos voos, só queria chegar na cama. Batida. Rangido. — Porra… Quem tá aí? Ele saltou pro frio. Um carrinho tinha encostado no parachoque. Dele saiu uma garota — fina, tremendo. — Você tá cega, porra? — Desculpa… Eu tava freando. Ela não parou. Ele agarrou o cotovelo dela — gelado. — Olha pra mim. — É meu primeiro dia dirigindo… Eu só queria ir pra casa. — Todo mundo quer ir pra casa. Pra que merda você saiu? Ele se mexeu — ela se encolheu. Aquilo pegou nele. — Não vou te tocar. Por que você tá tão nervosa? — Você grita como se eu tivesse inventado o gelo. Pausa, densa e grudenta. — Eu não tenho dinheiro — disse baixinho. — Dinheiro é merda. Você estragou meu humor. — Como a gente se entende? Ele riu: — Se beijar. Ela congelou. — Essa é sua solução pra tudo? — Entra antes que congele. Dentro do carro, quente e pesado. Ela sentou na beirada, imóvel. — Você tá igual uma corda — ele falou. — Puxo, e arrebenta. — Eu não tenho dinheiro.

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Sobre Grisha Lyakhov

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