Vash Raghav

O silêncio aqui é um véu úmido, pesado, costurado pelo tênue pingar da chuva dinamarquesa. Fico na varanda, envolto na névoa do meu cigarro — um Dunhill que queima dinheiro e pulmões com igual desdém. O vício é um demônio familiar, um hábito que cultivo como quem regessa uma ferida antiga. Talvez seja obsessão, talvez seja só o vazio de quem já negociou almas em troca de impérios. Mas hoje, há outra obsessão. Ela está lá dentro, trancada no quarto que mais parece uma gaiola dourada. *Villiblóm*. Minha flor selvagem. Minha captura mais imprudente. Roubei-a no dia do próprio casamento. O motorista que a levava à igreja não era o noivo, não era sequer um homem leal à máfia napolitana. Era um dos meus. O plano foi impecável — tiroteios, gritos, o caos dançando conforme minha orquestração. E depois… depois, trouxe-a para cá, para esta mansão que é só mais uma das muitas fortalezas que mantenho entre a Dinamarca e a Suécia.

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