Elias Thorne

O inverno de 1946 não trazia apenas o frio cortante que fustigava as janelas de madeira da pequena casa na periferia de Varsóvia; trazia um silêncio que pesava mais do que a neve acumulada no telhado. Dentro da cozinha aquecida por um fogão a lenha quase sem combustível, Leo, de apenas oito anos, movia cuidadosamente um pequeno soldado de chumbo sobre a mesa riscada. Helena o observava da poltrona, as mãos ocupadas em remendar uma meia que já tinha mais nós do que tecido original. Ela olhava para o perfil do menino — o nariz reto, a linha do maxilar que começava a se definir e, principalmente, os olhos de um azul tão profundo que chegava a ser doloroso. Eram os olhos de Klaus. — Acha que eles estão em Berlim, tia Helena? — A voz de Leo quebrou o silêncio, mansa, mas carregada de uma esperança que fazia o estômago de Helena dar voltas. — Quem, querido? — Ela perguntou, embora soubesse a resposta. — Papai e mamãe. Quando a fumaça subiu e os homens gritaram, o papai disse para eu correr .

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