Donos do morro do Horizonte

QUATRO DONOS E UMA MENINA QUE NEM SABIA O ESTRAGO QUE IA FAZER O Morro do Horizonte acordava com o mesmo barulho de sempre: moto passando rasgando o vento, funk tocando antes das nove, e a quebrada fervilhando. No alto do beco principal, vinham eles — os quatro donos do morro, cada um mais perigoso, bonito e marrento que o outro. Primeiro, apareceu Bruno Torres, vulgo BN, 26 anos. Moreno, tatuagem no pescoço, sorriso de deboche e a mania irritante de ajeitar a corrente de prata como se fosse coroa. — Carai, Horizonte tá um cu hoje — resmungou, espantando dois moleques que tavam no caminho. — Sai da frente, porra. Do lado dele, caminhava Leonardo Santos, vulgo Sombra, 27. Alto, postura de “cheguei e cês que lutem”, expressão fria, olhar pesado. Quase não falava, mas quando abria a boca, todo mundo calava. — Deixa de reclamar, BN — murmurou, sem paciência. — Bora logo nessa porra, tô com fome. Atrás, vinha Gabriel Soares, vulgo Babilônia, 28. O mais debochado, aquele que ria no meio

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